07
Abr 13
Considero que o conhecimento da História é fundamental; dá-nos as coordenadas para nos orientarmos e entendermos o tempo presente. Desconhecer a nossa História contemporânea é como ignorarmos a nossa família, pais e avós, e não saber como viemos parar a este mundo. 
Há demasiada ignorância da nossa História recente, o que até convirá a quem não quer que se saiba certas coisas e, desse modo, mais facilmente se possa branquear, por exemplo, uma ditadura recente. Também há demasiado panfletismo e falta de rigor nos conceitos, o que igualmente contribui para o estado de ignorância de muita gente. Falar de fascismo, a propósito deste governo, carece de um mínimo de rigor; a política deste governo é neoliberal e o sonho dos partidos que sustentam a maioria seria ter obtido 2/3 dos deputados na Assembleia da República de modo a poderem rever a Constituição a seu bel-prazer. Isso não será impedimento de termos eleições, pelo menos, no calendário normal, e de eleger outra maioria.
Voltando aos conceitos e rejeitando qualquer tipo de dogmas que, normalmente, impedem a discussão de ideias e do contraditório, podemos encarar uma questão de variados ângulos, mas uma coisa parece-me evidente e supostamente consensual; a de que uma ditadura é garantidamente uma ditadura, independentemente da sua "roupagem" ideológica. Presentemente, também é consensual, excepto para os neoliberais, que uma democracia têm implícitos direitos sociais e económicos, e não, meramente políticos. A redistribuição da riqueza produzida é-lhes um conceito estranho.
Não haverá um novo 25 de Abril, porque cada fenómeno histórico é fruto de uma específica conjuntura; presentemente, não vivemos em ditadura, nem temos guerras coloniais. Muitos exemplos se poderiam citar a atestar do carácter único e irrepetível de um fenómeno histórico; por exemplo, o nazismo e a revolução bolchevique nasceram de uma situação histórica e de uma sociedade concretas e não são exportáveis, como bem cedo, Estaline descobriu, em oposição a Trotsky. O 25 de Abril também não se exportou, nem para a vizinha Espanha.
Em suma, o conhecimento é a melhor ferramenta que podemos ter para sustentar as nossas opções e, naturalmente, a imprescindível honestidade intelectual; não é a realidade que se adapta às nossas ideias preconcebidas. 

publicado por Armindo Carvalho às 13:22

Abril 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO