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À época do 25 de Abril de 1974, o debate de ideias saltou para a praça pública e durante o período pré-constitucional, viveu-se na sã embriaguez da livre discussão, após décadas de anestesia geral. O conhecimento e a informação, em suma, a cultura, deixaram de constituir uma prática subterrânea e marginal, privilégio de uma élite iluminada, para se constituir numa prática universal, acessível a toda a gente.
Uma das ideias correntes, sedutora e utópica (?), prendia-se com a organização do trabalho. Pretendia-se que houvesse vida pessoal para além do trabalho e que esse tempo disponível pudesse ser aproveitado para o enriquecimento escolar e cultural do indivíduo, o que a ter sido concretizado, na altura, certamente teria proporcionado o nascimento de cidadãos com maior nível de instrução, cultura e formação, que puderiam ter dado um rumo político diferente ao regime democrático. Cidadãos com melhor educação, no seu sentido mais lato, cidadãos mais conscientes das questões em debate e mais imunes ao ressurgimento de ideologias demagógicas e populistas, de que é exemplo, o protesto anti-política e anti-políticos que é apenas, tão só, uma atitude política. Os ataques cegos e indiscriminados ao regime democrático, as "campanhas" demagógicas do "compre os produtos nacionais", mais não são que ideias bolorentas e bafientas, recicladas, dos primórdios do salazarismo.
Voltando à "vaca fria", nos idos de 1974 e 1975, o ideal de vida seria um trabalho que deixasse ao indivíduo bastante tempo livre, para usufruir a seu contento. Já bastante posteriormente, a informatização teria como suposto objectivo aliviar a carga horária de trabalho. Ingenuamente, comeram-nos as papas na cabeça e cada vez se exige que se trabalhe mais. A informatização serviu, tão só, para inventar outras tarefas. Presentemente, não há governo ou organismo público que não se dedique sistematicamente a elaborar estatísticas de tudo e de nada, a atestar que vivem em permanente ignorância. Com o aumento de trabalho, a redução dos recursos humanos e a sujeição das pessoas à economia e às finanças, de preferência, com menores salários, o trabalho, anteriormente um veículo de crescimento pessoal e uma tarefa gratificante, tornou-se numa fonte de stress permanente e numa luta constante pela sobrevivência pessoal. Em termos gerais, em todas as organizações, inclusivé, sindicais, o trabalho desumanizou-se, ao ponto de pôr em causa a vida pessoal das pessoas e a sua autonomia de gestão do seu tempo livre. Os governos e as organizações arrogam-se o direito de disporem do tempo livre das pessoas, em pleno século XXI.
As leis, como o código de trabalho, que coarctam a liberdade das pessoas são iníquas e imorais. São práticas do século XIX, há muito erradicadas. A oposição diária e constante a essas práticas deve ser intransigente e deve-se encará-las como leis ilegítimas que, igualmente, violam o Contrato Social.  A estes novos Tempos Modernos chaplianos deve-se dar tolerância zero.
publicado por Armindo Carvalho às 14:40

É o novo modelo de escravatura!

(Obrigada pela visita)
Justine a 26 de Novembro de 2012 às 09:41

É um prazer visitar o seu blogue.
Armindo Carvalho a 2 de Março de 2013 às 14:45

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