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Dez 11
     Natal não é acerca do nascimento de Jesus; são aqueles dias em que é obrigatório ter uma família; quando nos apercebemos de que a nossa se desintegrou e, difícilmente, se consegue reunir as suas células no mesmo espaço e na mesma ocasião.
     Natal é, para alguns, a angústia de estar só; na consoada, a solidão afigura-se universal e transcendente comparativamente a outras noites, como se fossemos os deserdados deste mundo.
     Pessoalmente, é com alívio que anualmente dou conta que mais um Natal passou, como se, uma vez mais, tenha sobrevivido ou tenha cumprido uma obrigação. A peça já não convence e a encenação soa artificiosa; tudo se parece reduzir a mais uma orgia de consumo, de excessos alimentares e de desperdícios.
     A árvore de Natal é o símbolo por excelência da globalização do evento e a ausência quase generalizada do presépio é a prova evidente de que se perdeu a sua origem ancestral. Jesus está morto e enterrado no espírito de muita gente; afinal, o que se anda a celebrar?
     Encontrando-se a família dispersa, não é possível numa só ocasião anual, tornar familiar o que seria muitas vezes uma reunião de estranhos, que por acaso, partilham alguns laços sanguíneos e de parentesco.
    Há mais de uma década, passei sozinho a noite de consoada e descobri no dia seguinte que nada se tinha alterado. A tarde de Natal, aproveitei-a para ver um filme na televisão, que me preencheu todo o tempo disponível e cujo título se pode aplicar a esta quadra; nada mais que "E tudo o vento levou".
publicado por Armindo Carvalho às 06:47

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