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Mar 13
Corre, por aí, um abaixo-assinado contra a alegada contratação pela RTP de José Sócrates, como comentador político, por iniciativa de um suposto indignado militante do CDS. O motivo invocado para esta insólita tentativa de silenciamento/censura prende-se com a responsabilidade política do ex-primeiro-ministro na crise financeira que forçou o nosso país a solicitar a ajuda financeira.
Devo esclarecer, desde já, embora isso não pusesse em questão a minha imparcialidade, que não votei em José Sócrates, embora já tenha votado no PS em eleições anteriores. Considero que a sua governação teve aspectos positivos e negativos, embora tivesse omitido, a meu ver, a matriz ideológica do seu partido, daí a minha posição.
Quanto a responsabilidades, assacá-las exclusivamente a José Sócrates é uma mistificação grosseira da realidade. Em termos externos, mal ou bem, o seu governo agiu em consonância com as decisões concertadas e aprovadas nas instâncias europeias. Em segundo lugar, a crise financeira foi exportada para a Europa pelos Estados Unidos; a falha da União Europeia consistiu em não discernir de imediato da sua dimensão e, em consequência, ter reagido demasiado tarde. Em termos de política interna, não é demais recordar que José Sócrates perdera a maioria absoluta; o segundo governo minoritário durou o tempo que o PSD permitiu, ou o tempo que o PSD necessitou para digerir a derrota eleitoral e para esperar por melhores dias. Em consequência, Sócrates governou durante 2 anos, com o acordo ou a abstenção parlamentar do PSD. Os orçamentos de Estado e os PEC's foram negociados com Pedro Passos Coelho e/ou passaram na Assembleia da República com o seu beneplácito.
Chegamos à questão fulcral, que é, saber qual o motivo que levou Pedro Passos Coelho a chumbar o PEC IV, provocando uma crise política, com eleições antecipadas, às quais, Cavaco Silva não pestanejou e precipitando o país numa crise de suposta insolvência. Foi o superior interesse nacional que moveu Passos Coelho ou, tão só, a comezinha conclusão de que o terreno estava maduro para ganhar eleições, nem que, para isso, fosse preciso inventar umas histórias, nunca comprovadas, de que nem sequer havia verbas para pagar salários? Na verdade, o grande trunfo eleitoral de Passos Coelho, para além de mentir descaradamente, foi a instilação do medo e da insegurança nos eleitores; foi o discurso da catástrofe iminente, a demonstrar que os portugueses ainda acreditam em papões!
Quer na minha oposição a José Sócrates quer a Pedro Passos Coelho, é determinante a minha recusa em fulanizar as questões e a enveredar pelo insulto rasteiro, mesmo tendo eu razões pessoais de sobra para o fazer. Faço questão de que o debate político seja feito com "elevação" e na base do conhecimento das coisas, sem demagogia nem populismos baratos. A verdade é que os políticos não são todos iguais; quem o afirma, talvez tenha a pretensão de se habilitar a um cargo governativo, já que, como é elementar, alguém tem de governar e, esse alguém, não tombou do céu; foi eleito pela maioria votante e por todos aqueles que se abstiveram do seu dever/direito de participar da vida colec tiva. Dispensamos, em absoluto, a campanha boçal e rasteira que fizeram a José Sócrates, na primeira eleição e que, a maioria, sabiamente ignorou. Se Sócrates, ou outra pessoa qualquer, for homossexual, isso desqualifica-o para as responsabilidades governativas?!
Em síntese, José Sócrates tem o mesmo direito a ser comentador político que Marcelo Rebelo de Sousa ou Marques Mendes. A respeitar-se o pluralismo de opiniões, todos os partidos com assento parlamentar deverão estar representados a nível de comentadores políticos nos canais televisivos, com especial vinculação, nos canais públicos.

publicado por Armindo Carvalho às 15:50

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