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Fev 11
José Manuel Fernandes publicou uma crónica intitulada - Tudo o que espoliámos à "geração sem remuneração" - na edição do Público do passado dia 4. Só li o texto há pouco e foi a sua divulgação no facebook por um amigo meu, que me despertou o interesse para a sua leitura.
Já li outros textos do mesmo autor, na sua passagem como director do jornal e, embora discordasse de alguns pontos de vista, achei que tinham, como este, pelo menos, um mérito, que é, o de provocar o debate.
A radiografia que JMF faz da situação profissional e pessoal de muitos jovens na idade 25-35 anos é real em alguns aspectos, embora seja difícil quantificar o seu número. Já quanto à atribuição de responsabilidades, excede-se e generaliza, ao "meter todos no mesmo saco". Vejamos, não é curial misturar o 25 de Abril, a adesão à CEE e à moeda única. Preferia JMF que ainda estivéssemos no anterior regime e orgulhosamente sós?! Espanta-se JMF com a loucura revolucionária depois de uma longa ditadura?! O que pensa, então, dos acontecimentos na Tunísia e no Egipto?! Que deveriam manter-se cordeirinhos à espera da mudança?!
Tem JMF alguma razão quando fala da "corrida suicida ao consumo", mas quero lembrar-lhe que isso só beneficiou alguns. O que me diz da pobreza estrutural e arcaica e da pobreza envergonhada e da desigual distribuição do rendimento nacional, que nunca foram erradicadas?
Também omite JMF as gerações que começaram a trabalhar com 12,13,14 anos, a quem, hoje se quer obrigar a trabalhar até aos 65 anos, ou seja, são duplamente penalizados. Não acha JMF razoável que aos 40 anos de descontos se obtenha o direito de reforma, sem penalizações, independentemente da idade? Ou o "crime" foi ter começado a trabalhar em criança?!
Será que o melhor argumento é retirar direitos sociais às gerações que os conquistaram para ficarmos todos sem direitos? Nivelar por baixo?!
Não será mais profícuo questionar o actual modelo económico e social?
Por todas estas lacunas, acho que o texto de JMF padece de parcialidade e/ou défice de informação. Apesar de tudo, este texto apenas fala de um "nicho" da população.
Este país não é para velhos?
publicado por Armindo Carvalho às 14:33

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