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Estamos numa situação política de tutela exterior, em que um governo eleito prescinde da sua soberania e governa dentro dos limites de um programa elaborado pelas instituições credoras do nosso endividamento. Os portugueses foram colocados perante o vetusto dilema, "nós ou o caos" e a Grécia serve na perfeição para ilustrar o que nos poderia acontecer se não nos tivessem "dado a mão" e nos rebelasse-mos como os gregos.
Os portugueses, na sua maioria, estarão anestesiados, amedrontados ou conformados e "rezando às alminhas" que aqueles senhores - os de fora e os de dentro - resolvam a situação e que isto, no futuro, tenha sido tão só um pesadelo. Neste "colete de forças", o governo e os amigos estrangeiros aproveitam para, paulatinamente, ir fazendo uma revolução silenciosa, subvertendo o nosso sistema social e económico.
Quem pretende "remar contra a maré" e apercebe-se da agenda política implícita, que parece consistir em retirar mais direitos sociais e reduzir cada vez mais o papel do Estado, tudo parecendo se resumir a mais desigualdades sociais e ao empobrecimento do nível de vida da maioria da população, sendo certo que, neste momento, os principais visados e os que sentem isso mais concretamente nas remunerações são os funcionários públicos. Os outros, às vezes, parece que ainda estão no "defeso" e vão assobiando para o lado. Dizia eu, que aqueles procuram uma alternativa política à esquerda, em minha opinião, não precisam de pensar muito. O programa político é, para mim, cristalino; comecemos por um Estado-Providência universal e bem gerido, uma economia mista, onde o Estado controle os sectores estratégicos, uma legislação laboral que responsabilize ambas as partes mas, naturalmente, proteja a parte mais fraca, um sistema de educação assente numa efectiva igualdade de oportunidades e um sistema de saúde universal que contemple as disparidades fiscais e onde o utente também seja responsável pelo uso que faça do sistema. As políticas económicas têm de estar ao serviço das pessoas; o trabalho é um direito de qualquer ser humano, assim como uma retribuição justa e necessária a um nível de vida digno, o que pressupõe igualmente, o acesso a bens culturais. Um povo bem instruído e bem cultivado, é um povo consciente e bem informado. A governação em Portugal é também uma questão cultural.
Parece-me pacífico afirmar que não há alternativa de esquerda sem o Partido Socialista; o problema deste partido é que quando assume responsabilidades governativas, parece arrumar o seu programa na "gaveta" e de ter esquecido, entretanto, a sua matriz ideológica. O facto de ser um dos partidos do sistema também terá facultado o ingresso de muitos "camaradas" que jamais terão lido o seu programa e cuja formação político-ideológica será um deserto de ideias.
Uma palavra para os equívocos e as contradições ideológicas do Partido Comunista, que fazendo a apologia de uma democracia aprofundada, mantém estranhas solidariedades com regimes ditatoriais. Se os tempos do Estado Novo desculpavam alguma ignorância da realidade de alguns regimes políticos, a vastíssima informação que existe presentemente, ao dispor de qualquer pessoa, não permite que se continue a "esconder a cabeça na areia".    
publicado por Armindo Carvalho às 11:42

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