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Jan 10
Ontem, no jornal "Público", li uma excelente entrevista acerca do fenómeno do suicídio no emprego com um investigador francês, sendo que, a França, é tida como o único país onde se investiga essas ocorrências e onde se tem feito algo de concreto no "terreno".
Por outro lado, leio neste momento um romance chamado "Rio secreto", de Kate Grenville, cuja acção se inicia em Londres, em finais do século XVIII. A pobreza extrema, a fome e o frio, a moralidade hipócrita "cristã", são chocantes, de que é exemplo paradigmático, o facto de os que roubavam, normalmente por teram fome, mulher e filhos em casa, serem sumariamente enforcados! Muitos destes "criminosos" foram povoar a Austrália e a Nova Zelândia, em degredo.
Por qualquer associação de ideias, cheguei ao comunismo e aos muitos que foram mortos em seu nome, sendo também uma verdade histórica, que o cristianismo não lhe ficou atrás, na imensidade de mortos e torturados em nome da fé! Aliás, mesmo entre cristãos, católicos e protestantes, foram bastante "generosos" nas matanças e perseguições.
Curiosamente, ao contrário do comunismo, não conheço "arrependidos" do cristianismo, por causa dos crimes cometidos em seu nome. É meu entender, que o comunismo e o cristianismo são ambas generosas utopias, impraticáveis na vida real. Quero dizer, que a realidade que a Santa Sé representa, não tem qualquer similitude com o que Jesus Cristo pregou. Daí, a dizer-se que os regimes comunistas eram uma adulteração/perversão da teoria comunista, vai um pequeno passo. Sejamos, pois, intelectualmente honestos e deixemo-nos de dogmas, que mais não fazem que obstruír a discussão e o confronto de ideias.
Em síntese, independentemente das ideias de cada um, penso que o que está geralmente ausente da política e das relações laborais é o que chamamos de humanismo, aquela área de saber que, sintomàticamente, foi erradicada dos programas escolares. Aquele tipo de saber que, de facto, nos forma, como pessoas. Ficou-nos a avaliação do desempenho, com quotas, que transforma os locais de trabalho numa arena de competição interpessoal e destruídora de qualquer tipo de solidariedade e interajuda e propiciadora de todo o tipo de injustiças, que se cala, por interesse pessoal ou por medo de represálias.
publicado por Armindo Carvalho às 14:38

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