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Ago 13
Coimbra, 19 de Janeiro de 1939


Enquanto o ia operando, o Fonseca, entre gemidos, foi contando a vida. Isto: aos dez anos morreu-lhe o pai. Aos quinze, a mãe. Aos dezanove, quebrou uma perna e três costelas de um carro de bois abaixo. Aos vinte, teve uma pneumonia dupla. Aos vinte e quatro, morreu-lhe um filho. Aos trinta, a filha. Aos trinta e dois, teve uma febre tifóide. Aos trinta e cinco, morreu-lhe a mulher. E agora, no prazo de cinco meses, quatro operações. No final perguntou:
-É ser homem ou não é, sr. Doutor?
-É.


Miguel Torga, Diário I
publicado por Armindo Carvalho às 08:09

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