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Mai 11
Devo começar por afirmar que, o discurso predominante da inevitabilidade do acordo económico assinado com a "troika" é meramente ideológico, ou seja, a realidade é filtrada pelas suas "lentes" ideológicas. Em democracia, há sempre alternativas, tão válidas como quaisquer outras. A entrevista com Miguel Portas na edição de hoje de o "Público" é disso exemplo. Quem afirma que não há alternativas a isto, mente ou está mal informado.
O acordo de assistência económica configura objectivamente uma perda da nossa soberania, ao se assumir como programa de governo, a que o próximo executivo eleito terá de se sujeitar, com mais ou menos privatizações. A situação é, pois, cristalina. Quem estiver de acordo ou resignado com esta imposição externa, só tem de escolher quem o irá executar. Aqueles, como eu, que não o subscrevem, irão naturalmente votar num dos partidos que tomou idêntica posição de rejeição.
Durante algumas semanas, alguma comunicação social substituiu-se aos "mercados" na especulação do que viria aí, prestando um óptimo serviço ao PS e ao PSD, ao incutir na população o medo da catástrofe. Atingido o objectivo, as pessoas respiraram de alívio, ao constatarem que, afinal, não haveria um tsunami mas, tão só, um tremor de terra. Por isso, Sócrates pode fazer o seu célebre discurso acerca do que "não ia acontecer" e Passos Coelho, por interposta pessoa, tentou capitalizar as "boas novas", "metendo os pés pelas mãos".
A coroar este cenário surrealista, Cavaco Silva finalmente falou ontem, afirmando, muito circunspecto, que, nós, portugueses, andamos a viver acima das nossas posses! Referir-se-ia à minha pessoa e, concerteza, aos que irão ler este texto?! Ou, com mais "propriedade", talvez se tivesse esquecido dos 40% de portugueses que vivem em risco de pobreza, antes das transferências sociais...Assim sendo, não admira que a população portuguesa seja cada vez mais diminuta, se descontarmos os indesejáveis!
Seria muito utópico da minha parte esperar que os portugueses tivessem a consciência política elementar de compreender que não somos responsáveis por esta crise financeira e que tivessem a informação e o discernimento de distinguir as componentes da nossa dívida externa: a pública e a privada. E que tivessem a coragem dos islandeses em dizer que não pagamos as dívidas dos outros. Para isso, é claro que, seria necessário que houvesse um referendo, coisa que os nosso políticos se dispensaram de fazer quer em relação à adesão à União Europeia, quer à moeda única.
Parece que a nossa cultura mediterrânica nos ensinou a sermos resignados e fatalistas. Só nos falta, como os gregos, entrarmos em depressão e encenarmos uma tragédia, grega, pois claro!
publicado por Armindo Carvalho às 08:00

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