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Dez 13
Encerro o presente ano, com um texto de reflexão ideológica, em contexto histórico, que considero um ponto prévio indispensável a qualquer debate político sério e rigoroso em Portugal.
Comecemos por um dado tido como adquirido, que é o pressuposto de o PCP não ser um partido democrático.Supremo paradoxo, a força política que mais se destacou na oposição à ditadura salazarista ter como suposto projecto de sociedade um regime à imagem dos regimes comunistas do leste europeu. O partido alega que não importa modelos políticos e que o seu projecto é o de uma democracia, tendo em consideração a realidade do país que somos. Faz a apologia de uma democracia aprofundada, que não se limite aos direitos políticos, mas englobe, igualmente, direitos sociais e económicos. Algo que nos faz lembrar a ideologia do actual governo. Como é sabido, o conceito de democracia, sem direitos sociais e económicos, é um modelo completamente ultrapassado que, nem este governo tem coragem de assumir em público. Como ia dizendo, acerca do PCP, alegarão que o partido se furtou (?) a repudiar o estalinismo e que, ainda hoje, tem algumas posições insustentáveis acerca de alguns regimes, de que é exemplo, a Coreia do Norte.
Façamos uma síntese histórica; o estalinismo era um regime insano e bárbaro, que mesmo durante a resistência ao invasor nazi, alguns funcionários na rectaguarda, dedicavam o seu tempo aos processos políticos de supostos inimigos...comunistas! No entanto, no período da Guerra Fria, os países ocidentais estavam longe de ser paladinos dos direitos humanos, de que o Maccartismo, nos Estados Unidos, é o caso mais óbvio. Outros serviços secretos ocidentais, além da CIA, colaboraram activamente com a Pide e, objectivamente, sustentaram a longevidade da nossa ditadura. Em suma, o perigo comunista justificava todos os atropelos às liberdades fundamentais.
Regressando a Portugal, o argumento que se utiliza para pôr em causa as "credenciais" democráticas do PCP, também serve "como uma luva" à direita portuguesa. Senão, vejamos; antes do 25 de Abril, o PPD/PSD e o CDS/PP eram inexistentes. Mesmo a nível pessoal, os seus fundadores eram, geralmente, pessoas bem instaladas na sua próspera vidinha e, até, se permitiam, vidé a Ala Liberal, uma oposição de camarote, sem consequências. Nunca lutaram por nada, nem arriscaram nada das suas vidas pessoais, como muitos advogados, alguns fundadores do PS, como Mário Soares e Salgado Zenha, que defendiam os prisioneiros políticos nos Tribunais Plenários. Por isso, eu também desconfio das "credenciais" democráticas da direita portuguesa. Este governo, é exemplo disso. Se os comunistas tiveram a sua cartilha, a direita também a teve e, suspeito, que a não leu devidamente. Tresleu! 
publicado por Armindo Carvalho às 10:27

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