18
Mar 12
Recentemente, foi publicado no Facebook um post relativo a uma recensão, publicada no jornal Avante, acerca de um livro de um filósofo francês, no qual se pretende dissecar e radiografar o nosso modelo de democracia ocidental. Em suma, a nossa democracia seria uma grande ilusão, um circo de ilusionismo, em que todos nós, a maioria, andaríamos anestesiados, mercê da campanha mediática, ao serviço dos grupos económicos.
Como me pareceu que era a legitimidade da nossa democracia que estava em causa, questionei o autor do post, militante do PCP, da alternativa, democrática, a este sistema político. Da resposta, subentende-se, que a nossa democracia não é genuína, pois, a informação não é isenta e as eleições perpetuam o sistema. Dito de outro modo, o sistema não serve porque o PCP não consegue convencer a maioria do eleitorado do seu projecto político.
Em consequência, fui reler o programa do PCP, onde se pode ler no capítulo II "Portugal: uma democracia avançada no limiar do século XXI, "Serão plenamente assegurados como direitos, garantias e liberdades fundamentais:
  • a liberdade de expressão de pensamento, a liberdade de imprensa e o direito à informação, com proibição da censura e garantia do pluralismo político e ideológico;
  • a liberdade de reunião e manifestação sem dependência de autorização prévia e com garantia de cedência de lugares e recintos públicos e abertos ao público para permitir o seu exercício efectivo em todo o território nacional;
  • a liberdade de constituição e acção de partidos políticos e outras associações sem interferência nem necessidade de autorização prévia de entidades públicas
Como isto me parece idêntico ao sistema político que temos presentemente e implica, naturalmente, que o PCP consiga ganhar uma eleição e, posteriormente, manter o poder em eleições posteriores, fico com a impressão de que algo, no meio disto, não bate certo. Assim, vejamos; o PCP continua a fazer a apologia do comunismo e nessa recensão do jornal Avante é referido o leninismo como instrumento de análise política. Ora, como é do conhecimento geral, o regime soviético e os regimes comunistas do leste europeu não eram sistemas políticos multipartidários, mas regimes de partido único. Vem-me à ideia aquela figura do "gato escondido com rabo de fora" ou do "lobo com pele de cordeiro". Por outro lado, o PCP mantém solidariedades internacionais com países como a China e a Coreia do Norte que, de forma alguma, são regimes multipartidários, logo, democracias.
Alguns militantes deste partido, levam muito a sério a sua missão de propaganda dos seus ideais e de doutrinação nas páginas do Facebook; o seu objectivo não se prende com qualquer debate de ideias mas, tão só, o de "cantar" loas à "democracia" comunista. Um desses militantes, bastante activo por sinal, pois utiliza todas as páginas do site para esse fim, sem nenhum prurido ético, por indiscrição ou ingenuidade, já fez a apologia, preto no branco, da "ditadura do proletariado". 
Quanto à "democracia" comunista, estamos esclarecidos; o comunismo, como outras utopias, não tem características democráticas e tem tendências totalitárias. A História já nos ensinou que o sistema político igualitário é um mito ou uma história para "embalar meninos"; mesmo nos regimes comunistas, existia uma classe dirigente que, mais não era, que uma elite que gozava de privilégios a que a maioria da população não tinha acesso.
A nossa democracia tem imperfeições e o nossa sociedade caracteriza-se por acentuadas desigualdades sociais que, nem o 25 de Abril, conseguiu erradicar. Falemos e discutamos da qualidade e do aperfeiçoamento da nossa democracia e de igualdade de oportunidades e não nos conformemos com o estado das coisas, pois, é a degradação da democracia que abre caminho às forças partidárias que, à direita e à esquerda, apenas se servem dos mecanismos da democracia com fins meramente instrumentais. Como qualquer seita religiosa, eles acreditam piamente que nós somos os ímpios a quem lhes cabe converter ao seu ideário, a bem ou a mal.

publicado por Armindo Carvalho às 13:10

11
Mar 12
Estamos numa situação política de tutela exterior, em que um governo eleito prescinde da sua soberania e governa dentro dos limites de um programa elaborado pelas instituições credoras do nosso endividamento. Os portugueses foram colocados perante o vetusto dilema, "nós ou o caos" e a Grécia serve na perfeição para ilustrar o que nos poderia acontecer se não nos tivessem "dado a mão" e nos rebelasse-mos como os gregos.
Os portugueses, na sua maioria, estarão anestesiados, amedrontados ou conformados e "rezando às alminhas" que aqueles senhores - os de fora e os de dentro - resolvam a situação e que isto, no futuro, tenha sido tão só um pesadelo. Neste "colete de forças", o governo e os amigos estrangeiros aproveitam para, paulatinamente, ir fazendo uma revolução silenciosa, subvertendo o nosso sistema social e económico.
Quem pretende "remar contra a maré" e apercebe-se da agenda política implícita, que parece consistir em retirar mais direitos sociais e reduzir cada vez mais o papel do Estado, tudo parecendo se resumir a mais desigualdades sociais e ao empobrecimento do nível de vida da maioria da população, sendo certo que, neste momento, os principais visados e os que sentem isso mais concretamente nas remunerações são os funcionários públicos. Os outros, às vezes, parece que ainda estão no "defeso" e vão assobiando para o lado. Dizia eu, que aqueles procuram uma alternativa política à esquerda, em minha opinião, não precisam de pensar muito. O programa político é, para mim, cristalino; comecemos por um Estado-Providência universal e bem gerido, uma economia mista, onde o Estado controle os sectores estratégicos, uma legislação laboral que responsabilize ambas as partes mas, naturalmente, proteja a parte mais fraca, um sistema de educação assente numa efectiva igualdade de oportunidades e um sistema de saúde universal que contemple as disparidades fiscais e onde o utente também seja responsável pelo uso que faça do sistema. As políticas económicas têm de estar ao serviço das pessoas; o trabalho é um direito de qualquer ser humano, assim como uma retribuição justa e necessária a um nível de vida digno, o que pressupõe igualmente, o acesso a bens culturais. Um povo bem instruído e bem cultivado, é um povo consciente e bem informado. A governação em Portugal é também uma questão cultural.
Parece-me pacífico afirmar que não há alternativa de esquerda sem o Partido Socialista; o problema deste partido é que quando assume responsabilidades governativas, parece arrumar o seu programa na "gaveta" e de ter esquecido, entretanto, a sua matriz ideológica. O facto de ser um dos partidos do sistema também terá facultado o ingresso de muitos "camaradas" que jamais terão lido o seu programa e cuja formação político-ideológica será um deserto de ideias.
Uma palavra para os equívocos e as contradições ideológicas do Partido Comunista, que fazendo a apologia de uma democracia aprofundada, mantém estranhas solidariedades com regimes ditatoriais. Se os tempos do Estado Novo desculpavam alguma ignorância da realidade de alguns regimes políticos, a vastíssima informação que existe presentemente, ao dispor de qualquer pessoa, não permite que se continue a "esconder a cabeça na areia".    
publicado por Armindo Carvalho às 11:42

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