27
Nov 12
A onda de violência que percorre vários países de religião muçulmana a pretexto de um filme com origem nos Estados Unidos, similar à que ocorreu aquando das caricaturas de Maomé, leva-me a questionar da natureza da vivência religiosa de um muçulmano e da sua formação enquanto cidadão.
Em primeiro lugar, o conceito de laicismo, ou seja, a separação entre a Igreja e o Estado parece ser-lhes uma noção estranha e ausente; a religião é um veículo de antagonismo político e civilizacional. Em países de religião muçulmana, outras religiões são difícilmente toleradas e o ateísmo ou agnosticismo constitui matéria criminal.
O crente muçulmano não concebe a democracia e a existência de uma sociedade civil cujas expressões de liberdade de expressão e intelectual não são controladas pelo Estado; chega-se assim à situação absurda e surreal de responsabilizar um governo ocidental pela feitura e divulgação de um filme ou de caricaturas publicadas na imprensa, como se o mundo ocidental ainda vivesse na época do Santo Ofício.
A par dos crentes muçulmanos, é de justiça recordar os episódios violentos de intolerância religiosa ocorridos há uns anos em França e nos Estados Unidos protagonizados por cristãos integralistas. Em ambos os casos, recusa-se o direito democrático de questionamento dos dogmas e, em nome destes, pretende-se coarctar as liberdades fundamentais inerentes a uma civilização democrática.
A violência muçulmana não é apenas uma manifestação de fanatismo, de ignorância e de obscurantismo; é igualmente o veículo de frustações políticas e de questões civilizacionais em relação ao mundo ocidental cristão.
A qualquer fanático de qualquer religião, com a certeza de estar imbuído da única verdade, é-lhe inaceitável e ofensivo que se discuta os seus dogmas e que outros façam a apologia de outras "verdades". Ser agnóstico deverá ser um caso de insanidade mental; ser ateu é impróprio de um ser humano, é colocar-se abaixo de cão.
publicado por Armindo Carvalho às 07:25

25
Nov 12
Tendo em consideração que as desigualdades sociais em Portugal são uma realidade estrutural, e não, um fenómeno conjuntural, que a própria "sabedoria popular" contempla, quando diz que hão-de haver sempre ricos e pobres, problema esse que este governo apenas veio agravar, ao exponenciar a existência dos chamados "novos pobres", o que Ramalho Eanes afirmou é correcto mas tardio, porque sempre houveram pobres em Portugal, logo, crianças a passar fome. É caso para dizer que "descobriu a pólvora". Aproveito para chamar a atenção do mediático "empobrecimento" da classe média; o que dirão os pobres que já o eram, a quem se reduzem os apoios sociais? O que se omite, por agenda ideológica ou por ignorância, é que as transferências sociais são um meio de redistribuição da riqueza produzida; que são um instrumento de justiça social, embora sejam um paliativo, pois não erradicam as causas da pobreza e das desigualdades sociais. A manter-se este programa político, não faltará muito tempo para as pessoas se questionarem da utilidade e da legitimidade da democracia.
Uma prova do "sucesso" da revolução cultural chinesa, é que se encherem a barriga dos chineses com bens de consumo, eles desprezam e desvalorizam o facto de não terem direitos políticos.
Faz-se a apologia da democracia a uma pessoa com fome e a viver em condições degradantes?
publicado por Armindo Carvalho às 15:31

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