04
Set 13


        - Posso então sair amanhã?
     - Pode. Um pequeno passeio, a experimentar.
     - Não. Se ponho os pés na rua, vou direita à Rainha Santa pagar a promessa que lhe fiz.
     - Ah! fez-lhe uma promessa?
     - Então a quem é que me havia de apegar, na aflição em que me vi?
     - Evidentemente...
     E desci as escadas atordoado, já sem saber se fora eu que curara aquela criatura da sua labirintite, ou se teria sido, de facto, a mulher de D. Dinis.


Miguel Torga, Diário, Volume II
publicado por Armindo Carvalho às 14:45



Voz


Era o céu que sorria nos seus olhos.
Eram junquilhos trémulos aos molhos,
As flores do rosto que eu beijava.
Fresca e gratuita como um hino à lua,
Nua,
Era um mundo de paz que se entregava.

Oh! perfume da Vida! - gritei eu.
Oh! seara de trigo por abrir,
Quem te fez todo o pão da minha fome?

Mas os seus braços, longos e contentes,
Só responderam, quentes:
- Come.


Miguel Torga, Diário, Volume II
publicado por Armindo Carvalho às 14:36

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